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A primavera da ressurreição

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Manoel de Oliveira

Na passada sexta-feira, 4 de abril de 2015, foi a enterrar o realizador Manoel de Oliveira. Na ocasião, o escritor Mário Cláudio realçou, ao jornal Público, uma coincidência curiosa:

Repare que Manoel de Oliveira, que sempre assumiu que o teatro era o paradigma do seu cinema, vai baixar à terra no dia em que se celebra o momento mais teatral e dramático da Paixão de Cristo.

Ele teria gostado disso, certamente, acrescentou o escritor, referindo-se ao filme O Acto da Primavera, onde o realizador regista um Auto da Paixão realizado em Trás-os-Montes.

Como humilde homenagem ao realizador e porque hoje é dia de Páscoa, fica a seguir o filme, que seria ainda lembrado pelo crítico e investigador francês Jacques Lemière, que também assinalou a coincidência da morte de Oliveira com o início da Primavera – e lembrou o paralelismo com O Acto da Primavera, um dos primeiros filmes de Oliveira que lhe fez ver “a grandeza da sua obra” e despertar a atenção para o cinema português.

Complementando-o, recordo Pascua de Resurrección, um poema de Antonio Machado que proclama o fim do inverno e o regresso da vida, o triunfo da natureza.

PASCUA DE RESURRECCIÓN

Mirad: el arco de la vida traza
el iris sobre el campo que verdea.
Buscad vuestros amores, doncellitas,
donde brota la fuente de la piedra.
En donde el agua ríe y sueña y pasa,
allí el romance del amor se cuenta.
¿No han de mirar un día, en vuestros brazos,
atónitos, el sol de primavera,
ojos que vienen a la luz cerrados,
y que al partirse de la vida ciegan?
¿No beberán un día en vuestros senos
los que mañana labrarán la tierra?
¡Oh, celebrad este domingo claro,
madrecitas en flor, vuestras entrañas nuevas!
Gozad esta sonrisa de vuestra ruda madre.
Ya sus hermosos nidos habitan las cigüeñas,
y escriben en las torres sus blancos garabatos.
Como esmeraldas lucen los musgos de las peñas.
Entre los robles muerden
los negros toros la menuda hierba,
y el pastor que apacienta los merinos
su pardo sayo en la montaña deja.

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