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A ação humana – proposta de guião

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O programa de Filosofia em vigor (ano letivo 2011/12) tem a seguinte rubrica:
A AÇÃO HUMANA
— análise e compreensão do agir

1. A rede conceptual da ação

2. Determinismo e liberdade na ação humana

Propõem-se, a seguir, para explorar essa rubrica, ALGUMAS IDEIAS/ATIVIDADES

Trataremos aqui de

  1. identificar as características específicas da ação humana
  • distinguindo as ações (humanas) dos acontecimentos (naturais);
  • consciencializando que nem todos os atos do homem são atos especificamente humanos (só um ex.: o ressonar não é);
  • explicando essas diferenças através de conceitos como intenção, fim, motivoliberdade[*], responsabilidade… (são ações os movimentos corporais realizados por motivos, para atingir fim(s), realizados livremente…)

||| Leia a entrada Motivo e o texto Nem todos os atos do Homem são atos humanos.
||| Faça o exercício A estrutura da ação.

  1. analisar condicionantes físico-biológicas e histórico-culturais da ação humana
  • demonstrando as relações da ação com o corpo do sujeito que age (com os vários sistemas — glandular, nervoso…) e o meio físico;
  • demonstrando a importância do meio social e histórico (o contexto cultural)

||| Leia o texto Condicionantes da ação humana
||| Como exercício, comente a afirmação (do filósofo espanhol Ortega y Gasset) “Eu sou eu e as minhas circunstâncias“.

  1. formular o problema da liberdade na ação e apresentar as teses (e os argumentos) do determinismo e do livre-arbítrio:

A questão: há fatores biológicos, sociais e culturais que condicionam a nossa ação (ver nº 2). Será possível, apesar disso, provar que certas decisões são radicalmente livres ou, sequer, que há uma parte absolutamente livre em algumas delas? ou seremos apenas robôs manipulados pelas leis da Natureza e da sociologia?

Segundo os filósofos que defendem o determinismo, qualquer acontecimento é o resultado de causas que o antecederam; aplicada aos atos humanos, esta teoria defende que nenhum dos nossos atos depende realmente de nós, mas sim da conjunção das leis da Natureza e da mente humana (estudadas pela psicologia e pela sociologia, sendo a mente humana, ela própria, parte da Natureza). Ao contrário, segundo os defensores do livre-arbítrio, no mínimo, há algumas ações absolutamente livres: cada qual possui o poder de se determinar por si próprio.

Os defensores da liberdade fundamentam-na frequentemente na possibilidade de optar atestada pela nossa experiência; em múltiplas situações do quotidiano sentimos que poderíamos ter feito algo diferente daquilo que realmente fizemos: na fila de uma cantina, escolhemos o bolo de sobremesa em vez de fruta e percebemos que não houve fatores que tornaram inevitável a escolha feita — como está determinado à partida que o sol se levantará amanhã

[ler o capítulo 6 – livre arbítrio do livro Que quer dizer tudo isto? — dados bibliográficos aqui].

A nossa capacidade racional permite-nos prever os resultados das nossas diferentes opções e, portanto, escolher em liberdade.

Objeção dos deterministas: mas do facto de optarmos não podemos concluir a liberdade; as opções podem estar predeterminadas — e estão. Segundo o princípio da causalidade universal, tudo o que sucede tem que ter uma causa; chamamos livres aos atos cujas causas desconhecemos — como chamamos casuais aos acontecimentos cujas causas ignoramos. Assim, a liberdade é uma ilusão: todos os nossos atos são o resultado necessário de fatores anteriores, incluindo atos tão simples como a escolha de um sabor de uma pastilha elástica. “Uma escolha, uma decisão, é um acontecimento psicológico (neurológico) na mente de alguém: consiste na troca de mensagens entre células do cérebro sob a forma de impulsos eletroquímicos, ou seja, factos biológicos, que obedecem a leis biológicas e físico-químicas. Para além destas muitas e complexas causas físicas, temos um outro conjunto de causas, as especificamente psicológicas: talvez tenha escolhido o sabor laranja em parte porque fui estimulado a habituar-me a ele na infância ou porque ele esteve associado a situações agradáveis, como festas, ou porque nos últimos tempos bebi muitas vezes limonada e agora o sabor a laranja me pareça mais convidativo, etc. Mas tudo isto (e todas as hipóteses que a psicologia pode levantar e estudar para além destas poucas) se poderá dar a um nível que é, em grande parte, inconsciente, pelo que não damos por elas e pensamos, erroneamente, estar a ser livres na nossa escolha” (CASELAS, António; LOPES, António; MARQUES, Francisco – Filosofia 10º ano. Carnaxide: Constância).

Contra-argumentação (possível) em defesa da liberdade: é inegável que é impossível agir sem fatores condicionantes. Apesar destes fatores e para lá deles, a liberdade é possível enquanto capacidade de, pela criatividade, superar essas condicionantes. Somos, em alguns aspetos, inferiores a certos animais; o ser humano é mesmo, à partida, o mais desamparado dos animais: não tem as garras do leão nem a visão das aves de rapina…; mas, para ultrapassar essa situação, criamos instrumentos — objetos de corte para suprir a falta de garras, binóculos para ver melhor, aviões para superar a força da gravidade… A nossa inferioridade é a base para a construção da nossa superioridade.

[Esta é a ideia central do texto O equipamento não corpóreo do ser humano]

[FAÇA estes exercícios:
Estamos condenados à liberdade?
– Análise do poema Conquista de Miguel Torga]

||| Propomos um teste [*]  de controlo dos seus conhecimentos.
||| Leitura de enriquecimento: A liberdade da vontade (onde J. Searle discute a possibilidade de conciliar liberdade e determinismo)

[*] página a acrescentar, brevemente. Mantenha-se informado/a sobre as novidades d’O meu baú: receba-as na sua caixa de correio (basta assiná-las na barra lateral direita desta página).

[conheça o que o programa prevê para esta rubrica]

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