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O agente da ação

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 Na linguagem corrente, usamos a palavra ação num sentido amplo, referindo-se a algum tipo de ato ou acontecimento. É assim que falamos de “a ação erosiva do vento”, “a ação positiva dos lubrificantes no motor”, “a ação educativa do professor” … No entanto, em Filosofia da ação usar o termo ação com um significado mais específico e técnico, limitando-o a um tipo especial de atos: as operações conscientes e voluntárias de um agente. Costuma entender-se por agente aquela pessoa, animal ou coisa que leva a cabo a ação expressa pelo verbo. Assim, quando dizemos: “O vento provoca erosão nas montanhas”, “Os lubrificantes protegem o motor” ou” O professor educa os seu alunos”, estamos a considerar como agentes o vento, os lubrificantes e o professor. No entanto, provocar erosão e proteger não são ações, pois nem o vento nem o lubrificante se propõem fazer o que fazem nem se dão conta de que o fazem; ou seja, não atuam como agentes conscientes e voluntários. O professor, ao contrário, sim. Por isso, em sentido restrito, nem o vento nem o lubrificante são considerados agentes; nem provocar erosão e proteger são consideradas ações. Consideramos ações: escrever uma carta a um amigo, jogar basquete, estudar para o exame, lavar a louça… uma vez que são atos conscientes e voluntários. Mas não dizemos que sejam ações: a queda de uma folha de uma árvore, a subida das marés, o pôr do sol… uma vez que não têm este caráter. Aqui, vamos supor que, na natureza, o único agente consciente e voluntário é o ser humano e que, portanto, a ação é uma característica específica dele. De facto, no ser humano a determinação instintiva é muito menor do que nos restantes animais. Além disso, o comportamento humano é espontâneo e não a repetição de um padrão herdado. Parece, pois, que a especificidade do comportamento humano é a possibilidade de escolher entre fazer algo ou outra coisa, ou até não fazer nada. Em sentido restrito, apenas um ser que escolhe e decide o que faz pode ser considerado um agente voluntário. Portanto, quando falamos de ação, referimo-nos exclusivamente à ação humana. No entanto, nem tudo o que uma pessoa faz é uma ação. Por exemplo, ressonar, fazer a digestão, pestanejar… são atividades que nós, as pessoas, fazemos, mas como as fazemos de modo reflexo, isto é, sem nos propormos fazê-las e sem as controlarmos, não as consideramos ações.

(traduzido e adaptado de VVAA. Filosofía. Barcelona: Grupo Edebé, 2004, p. 223-224)

[Pretexto para a publicação deste texto: o tema A ação Humana do programa atual (ano letivo 2011/12) do 10º ano de Filosofia tem uma rubrica (A rede conceptual da ação) onde o agente é conceito central. Ver ainda outro conceito central para a rubrica: o de motivo].

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