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Crença verdadeira justificada

Crença verdadeira justificadaDesde Platão (século V-IV a.C.), o conhecimento é definido como uma crença verdadeira justificada.

O Arte de pensar: 11º ano (p. 122) propõe a seguinte discussão:

“É mais importante ter crenças verdadeiras do que crenças justificadas”. Concorda? Porquê?

Está aberta a contenda!

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5 Comentários »

  • David Rodrigues diz:

    Irei tentar responder a este desafio; não dou a certeza de estar correcto e espero que a minha resposta seja completada e ouvir outras opiniões.

    Segundo Platão, para que um crença constitua conhecimento é necessário que seja verdadeira e que esteja devidamente justificada (a justificação tem de estar ligada à causa, à verdade em si e não à nossa crença). Uma crença que não obedeça a estas condições não constitui conhecimento.

    Mas o que está aqui em questão é saber se no nosso dia-a-dia é mais importante termos crenças justificadas ou crenças verdadeiras.

    Comecemos pelas crenças verdadeiras. Uma crença pode estar de acordo com a realidade ou não, ou seja, pode ser verdadeira ou falsa. Claro que não é proveitoso utilizarmos crenças falsas no nosso dia-a-dia, pois estaríamos sempre induzidos em erro. Por isso, utilizamos sempre crenças verdadeiras, que nos transmitem a verdade dos factos, a realidade. Mas eis o problema: podemos ter crenças verdadeiras que são obra do acaso, ou seja, não procuramos sequer as bases ou as justificações que nos levam a pensar dessa forma. Por exemplo: se me perguntarem quanto é a raiz de 9 e eu responder ao acaso 3 (o que é verdadeiro), respondi acertadamente mas ao acaso. Passemos agora às crenças justificadas:

    Podemos ter crenças justificadas verdadeiras e crenças justificadas falsas. Por exemplo: eu tenho a certeza que vi o João na rua. Vi-o com os meus olhos, passou perto de mim. Mas depois a pessoa que veio a dizer isto descobriu também que afinal não era o João: era o Pedro, parecidíssimo com ele. Neste caso, o João tinha a sua crença justificada, mas esta não constitui conhecimento pois não está de acordo com a verdade. Para uma crença constituir conhecimento, tem de ser verdadeira e a sua justificação tem de estar relacionada à verdade, e não à crença (o que aconteceu no caso do João).

    Afinal de contas, é mais importante ter crenças verdadeiras ou justificadas? Na minha opinião, é mais importante ter crenças justificadas. Vejamos: as crenças verdadeiras transmitem-nos a verdade sem dúvida alguma, mas as crenças justificadas não necessariamente (tal como já vimos). Mas vimos também que as crenças verdadeiras surgem muitas vezes a partir do acaso: não estamos a fazer qualquer tipo de raciocínio, não estamos a procurar as bases das nossas crenças nem dos nossos conhecimentos, não estamos a estimular o nosso pensamento. Penso que é mais importante ter crenças justificadas (que justifiquem a verdade, não as nossas crenças!) pois irão obrigar-nos a pensar, a raciocinar e a levar-nos às bases das nossas crenças. Encontraremos muito mais coisas ao fazermos este exercício, em vez de muitas das vezes simplesmente “engolirmos” a verdade sem fazer qualquer tipo de raciocínio ou pensamento.

    Desta forma, não concordo com a afirmação. Penso que é mais importante ter crenças justificadas do que crenças verdadeiras!

  • Filipa Borges diz:

    David, penso que a maneira de como introduziste o assunto foi muito boa portanto a isso nada acrescento 🙂
    Fiquei um pouco baralhada ao ler a tua resposta e não sei se o que direi a seguir será acertado e portanto espero que ninguém me facilite a vida e me corrija e ou/refute.

    Acho que perante os teus argumentos apresentados poderias tirar a conclusão de que nem é mais importante uma crença verdadeira nem uma justificada, passo a explicar-me:
    No caso do João, a crença, apesar de falsa, tinha uma boa justificação mas isso não foi suficiente, pois não há conhecimento. E como também mencionas há crenças verdadeiras mas por mero acaso, podemos dizer que “sem justificação”. Analisando estas duas crenças em particular qual será a mais importante?
    À primeira vista também responderia que era a do João, mas depois de uma (grande) análise alterei o meu ponto de vista. De que nos vale ter uma crença justificada se a crença for falsa?!
    Portanto, concordo quando dizes “Penso que é mais importante ter crenças justificadas (que justifiquem a verdade, não as nossas crenças!)”, mas discordo da tua conclusão pois a pergunta é referente a Platão e ao responderes que é mais importante as crenças justificadas dá a entender, a meu ver, que é a justificação da crença e não da verdade.

    Em suma, para mim é mais importante que seja uma crença verdadeira que ao mesmo tempo tenha justificação para a sua verdade e para a crença em si!

  • Rui Chaves10 diz:

    Muito obrigado David e Filipa. vocês ajudaram-me muito 🙂
    mas tambem tenho outras duvidas se pudessem mandar as respostas para o meu mail : ruichaves2010@hotmail.com
    1- explicar o ato de conhecer segundo a fenemologia.
    2-compreender a dualidade do cerebro e da mente.

  • rafael diz:

    nem uma nem outra é mais importante.
    Para haver uma crença verdadeira esta tem de ser justificada e uma crença justificada tem de ser necessáriamente verdadeira.
    Para haver conhecimento terá de existir imperativamente uma crença VERDADEIRA E JUSTIFICADA pois sem isto não existe conhecimento

  • tatielle diz:

    adorei era o que estava a procurar obg

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