Início » 10º ano, Filosofia política, Teoria do conhecimento

ECOS: 28. verdade e política

Enviado por |

verdade e política

Hannah ARENDT apresenta nestes termos o objeto das reflexões do seu livro Verdade e política 

[Lisboa: Relógio d’Água, 1995]

Nunca ninguém teve dúvidas que a verdade e a política estão em bastante más relações, e ninguém, tanto quanto saiba, contou alguma vez a boa fé no número das virtudes políticas. As mentiras foram sempre consideradas como instrumentos necessários e legítimos, não apenas na profissão de político ou demagogo, mas também na de homem de estado. Por que será assim? E o que é que isso significa no que se refere à natureza e à dignidade do domínio político, por um lado, e à natureza e à dignidade da verdade e da boa-fé, por outro? Será da própria essência da verdade ser impotente e da própria essência do poder enganar? E que espécie de realidade possui a verdade se não tem poder no domínio público, o qual, mais do que qualquer outra esfera da vida humana, garante a realidade da existência aos homens que nascem e morrem — quer dizer, seres que sabem que surgiram do não-ser e que voltarão para aí depois de um breve momento? Finalmente, a verdade impotente não será tão desprezível como o poder despreocupado com a verdade?

[p. 9]

Como é que o leitor responderia a estas questões?

Tags:

Deixe um comentário!

Escreva o seu comentário a seguir, ou o trackback do seu próprio sítio da Web.

Respeite a netiqueta e o assunto em discussão. Ativámos a moderação de comentários para filtrar o spam; por isso, o seu comentário pode levar algum tempo a ser publicado.

Pode usar estas etiquetas:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Este blogue utiliza Gravatars. Se ainda não tem um, crie-o em Gravatar.