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GALEANO, Eduardo

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Eduardo Galeano

Eduardo Germán María Hughes Galeano, jornalista e escritor uruguaio, um dos mais destacados escritores da literatura latino-americana, nasceu em Montevideu, a 3 de setembro de 1940, tendo aí morrido, a 13 de abril de 2015.

Na sua cidade natal, foi chefe de redação de Marcha (um semanário que se editou entre 23 de junho de 1939 e 22 de novembro de 1974) e diretor, durante dois anos, do diário Época. Em Buenos Aires, Argentina, fundou e dirigiu a revista Crisis. Esteve exilado na Argentina e Espanha, desde 1973; em princípios de 1985, regressou ao Uruguai, residindo em Montevideu.

Foi autor de uma profusa obra jornalística e de vários livros (designadamente, os mais conhecidos Las venas abiertas de América Latina (1971) e Memoria del fuego (1986)) traduzidos para mais de vinte línguas. “A sua obra é uma perpétua e polémica interpretação da realidade da América Latina, interpretada por muitos como uma radiografia do continente“.

Eduardo Galeano recebeu o prémio Casa das Américas, em 1975 (com La canción de nosotros) e 1978 (com Días y noches de amor y de guerra), e, em 1993, o prémio Aloa (concedido à melhor obra traduzida para o dinamarquês procedente da América Latina, África, Ásia e Oceania). A trilogia Memoria del Fuego foi premiada pelo Ministério da Cultura do Uruguai e recebeu o American Book Award (Washington University, USA) em 1989. Em 1999, Galeano foi o primeiro escritor galardoado pela Fundação Lannan (Santa Fé, USA) com o Prémio para a Liberdade Cultural. Em setembro de 2010, recebeu o prémio Stig Dagerman, um dos mais prestigiados galardões literários da Suécia. Em 2011, o Prémio Casa das Américas. Entre outras distinções…

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Días y noches de amor y de guerra, é uma crónica romanceada das ditaduras da Argentina e Uruguai, embora com contínuas referências ao contexto latino-americano. Aí se relatam as vivências de um jornalista num país esmagado pelo poder militar e paramilitar num período atroz, marcado pela violência sobre os discordantes. Contudo, junto com o horror de amigos que às vezes desapareciam “por erro” e outras simplesmente por pensarem por si mesmos, estão o amor, os amigos, os filhos, a paisagem, tudo aquilo que, embora na escuridão de uma guerra suja e despiedada contra os mais débeis, continua a ser motivo para viver, defender as ideias e levantar a voz contra os que atuavam impunemente para implantar o medo e a consequente paralisação. Anuncia-se logo na primeira página: “Tudo o que aqui se conta aconteceu. O autor escreve-o tal como o guardou na sua memória. Alguns nomes, poucos, foram mudados”.

Uma breve passagem, escolhida (quase) ao acaso:

Conversación que no sé si escuché o imaginé en aquellos días:
-Una revolución de mar a mar. Todito el país alzado. Y los pienso ver con estos mis ojos…
-¿Y cambiará todo, todo?
-Hasta las raíces.
-¿Y ya no habrá que vender los brazos por nada?
-Ni modo, pues.
-¿Ni aguantar que lo traten a uno como bestia?
-Nadie será dueño de nadie.
-¿Y los ricos?
-No habrá mas ricos.
-¿Y quién nos va a pagar a los pobres, entonces, las cosechas?
-Es que tampoco habrá pobres.
-Ni ricos ni pobres.
-Ni pobres ni ricos.
-Pero entonces, se va a quedar sin gente Guatemala. Porque aquí, sabés vos, el que no es rico, es pobre.”

(Días y noches de amor y de guerra. Madrid: Alianza Editorial, 5ª ed., 2004, p. 19-20)

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