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GARCÍA ABRIL, Antón

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Antón García Abril

O compositor Antón García Abril nasceu em Teruel (Espanha), em 1933. Dele disse a extinta Audio Clásica nº 108 (janeiro de 2006?), onde é considerado “um compositor transcendente para a criação musical espanhola atual”, que

personalizou boa parte da atividade de composição em Espanha e não apenas a partir da sua “tribuna” como catedrático de composição no Real Conservatorio Superior de la Corte, mas também como ativo e prolífico criador atento aos diversos géneros que mantiveram certa primazia na música do século XX. Contudo, e não deixa de ser paradoxal, García Abril tem estado contra a corrente ao manter um estilo ainda  ancorado num certo modelo de perceção “clássica”, veículo expressivo que ele embandeira como defensor convicto do dom melódico que ainda alicerça a emoção em música, tal como a assunção natural de uma tradição musical espanhola que também subscreve sem complexos: porque é que não haveria de ser assim, se essa tem sido a atitude constante dos mais importantes compositores? — parece dizer com a sua música. É por isso que a sua obra se traslada com facilidade para o imaginário de um amplo setor de público que o próprio maestro não ignora (neste sentido, Garcia Abril também não acha indecorosa a legítima procura do reconhecimento público, incluindo uma merecida dose de êxito).

Como se pode ver aqui, García Abril aparece frequentemente destacado como autor de música para cinema e séries de televisão como “El hombre y la tierra” de Félix Rodríguez de la Fuente, “Los Camioneros”, “Fortunata y Jacinta”, “Anillos de oro”, “Segunda enseñanza”, “Brigada Central”, “Ramón y Cajal”, “La ciudad no es para mí”, “Compuesta y sin novio” e “Requiem por Granada”; mas a sua obra é mais vasta…

Proponho a audição do seu Concerto Mudéjar.

Nos seus três andamentos, o desenvolvimento melódico não se recorta em frases e períodos, antes funciona como um fluir expressivo nos seus traçados mais amplos e nos seus elementos interiores mais breves. Sem, nem de longe, se entregar ao folclorismo, não faltam conotações de raiz hispânica, e a parte solista está trabalhada com brilhantismo que culmina na cadência central. A criação de um mundo de equivalências entre o mudéjar arquitetónico e o sonoro, a sedução tímbrica da guitarra, a vontade de comunicação afetiva e o enlace com os gostos espanhóis foram propósitos, bem conseguidos, do compositor.
[traduzido daqui. N’O meu baú, aqui, encontra as características do mudéjar arquitetónico]

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