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GARCÍA LORCA, Federico

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[Federico García Lorca em 1914]

[Federico García Lorca em 1914]

García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de Junho de 1898 — Granada, 19 de Agosto de 1936) é um poeta e dramaturgo espanhol, um dos maiores representantes da literatura de Espanha do século XX. A sua obra está inspirada no folclore andaluz.

Detido e fuzilado durante a guerra civil, o seu assassinato

(que continua envolto em grande mistério até aos nossos dias: escavações no âmbito da chamada Lei da Memória Histórica demonstraram  que os seus restos, surpreendentemente, não se encontram onde até então se acreditava estarem; muitas interrogações rodeiam também as responsabilidades e a autoria da sua morte)

converteu a sua figura em lenda e em símbolo da tragédia do povo espanhol. Gabriel Pozo, autor de Lorca, el último paseo, enumera várias causas da sua morte, entre as quais estas: “a forma de ser, de se comportar, de se vestir de Lorca destoavam numa cidade provinciana como era Granada em 1936; a sua homossexualidade não aceite, inclusive pela sua própria família; […]. Sobre Federico, muitas pessoas descarregaram os seus ódios, invejas e frustrações reprimidas” (La Aventura de la Historia, nº 136).

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||| Romance del Amorgo é um fragmento de Romance del Emplazado, uma obra (entre outras) onde Lorca apresenta ciganos que sucumbem a um destino trágico. Como assinala Ramón Fernández Palmeral, na sua conferência Federico García Lorca y el flamenco, o cigano lorquiano simboliza na perfeição o sentimento trágico da vida, a frustração de não poder viver a vida plenamente, o drama de ser diferente e portanto marginal. O Amargo, misteriosa personagem, foi definido pelo poeta granadino como o anjo da morte e a desesperança que guarda as portas de Andaluzia: a Amargo, vaticina-se-lhe a morte e esta tem um prazo irrevogável — a partir da data assinalada. Fica anulada toda a esperança. (texto plagiado daqui)

Em 1979, o cantor de flamenco Camarón dedicou um disco à memória de Federico García Lorca, sob o nome de La leyenda del tiempo.  Uma das faixas é Romance del Amargo:

ROMANCE DEL AMARGO

El veinticinco de junio
le dijeron al amargo
ya puedes cortar si quieres
las adelfas de tu patio.
El veinticinco de junio
le dijeron al amargo

Pinta una cruz en la puerta
y pon tu nombre debajo
porque cicutas y ortigas
nacerán en tu costado,
y agujas de cal mojadas
te morderán los zapatos.

Será de noche en lo oscuro
por los montes imantados,
donde los bueyes del agua
beben los juncos soñados.

Pide luces y campanas.
Aprende a cruzar las manos,
y a gustar los aires fríos
de metales y peñascos,
porque dentro de dos meses
yacerás amortajado.

 

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