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Informações sobre o exame de Filosofia 2016

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O Ministério da Educação, através do IAVE, divulgou informações sobre as provas finais e exames do ano letivo 2015/2016. Para o ensino básico e secundário. Transcrevo o documento relativo à prova do exame de Filosofia (714), a realizar em 2016, nomeadamente:

  • Objeto de avaliação
  • Caracterização da prova
  • Material
  • Duração
  • Critérios gerais de classificação

No arquivo Exames e Provas (do IAVE) podem ser consultados itens e critérios de classificação de provas desta disciplina. N’O meu Baú existe também uma secção dedicada a Exames e testes intermédios de Filosofia. Muitas das hiperligações que se seguem remetem para textos d’O Baú.

Objeto de avaliação

A prova tem por referência o Programa de Filosofia (programa do 10º ano; programa do 11º ano) e as Orientações para efeitos de avaliação sumativa externa das aprendizagens na disciplina de Filosofia e permite avaliar a aprendizagem passível de avaliação numa prova escrita de duração limitada, nomeadamente as capacidades que a seguir se enunciam.

Análise e interpretação

  • Identificar problemas filosóficos.
  • Identificar conceitos filosóficos.
  • Identificar teses filosóficas.
  • Relacionar conceitos e teses presentes em textos filosóficos.
  • Comparar teorias filosóficas.
  • Identificar a estrutura argumentativa de um texto.
  • Integrar um texto num contexto argumentativo e filosófico.
  • Reconhecer diferentes tipos de argumentos.
  • Enunciar premissas explícitas e implícitas de um argumento.
  • Reconstituir os argumentos apresentados num texto.

Problematização e conceptualização

  • Formular problemas filosóficos.
  • Relacionar problemas filosóficos.
  • Justificar a relevância de um problema filosófico.
  • Utilizar conceitos de forma adequada.
  • Esclarecer um conceito mediante a sua definição, exemplificação ou contextualização.
  • Explicar relações entre conceitos.

Argumentação e crítica

  • Defender teses, apresentando razões, argumentos ou exemplos adequados.
  • Determinar as implicações filosóficas de uma tese ou teoria.
  • Determinar as implicações práticas de uma tese ou teoria.
  • Avaliar criticamente teses, teorias e argumentos, apresentando objeções ou contraexemplos.
  • Confrontar perspetivas filosóficas, considerando os seus pontos fortes e os seus pontos fracos.

A prova integra itens que permitem avaliar a aprendizagem relativa aos módulos II, III e IV do programa, com as especificações introduzidas pelas orientações e em conformidade com o nível de aprofundamento abaixo explicitado.

Módulo II — A ação humana e os valores

Unidade 1. A ação humana — análise e compreensão do agir

1.1. A rede conceptual da ação

  • a distinção entre ação e acontecimento;
  • a distinção entre voluntário e involuntário;
  • a articulação entre deliberação e decisão racional.

1.2. Determinismo e liberdade na ação humana

  • discussão das posições fundamentais de resposta ao problema da relação entre determinismo e livre-arbítrio: o determinismo radical, o determinismo moderado e o libertismo.

Unidade 2. Os valores — análise e compreensão da experiência valorativa

2.1. Valores e valoração — a questão dos critérios valorativos

  • a distinção entre juízo de facto e juízo de valor;
  • discussão das perspetivas seguintes: a subjetividade, a relatividade e a objetividade dos juízos de valor.

Unidade 3. Dimensões da ação humana e dos valores

3.1. A dimensão ético-política — análise e compreensão da experiência convivencial

3.1.3. A necessidade de fundamentação da moral — análise comparativa de duas perspetivas filosóficas

– a ética deontológica de Kant — o dever e a lei moral; a boa vontade; máxima, imperativo hipotético e imperativo categórico; heteronomia e autonomia da vontade; agir em conformidade com o dever e agir por dever; críticas à ética de Kant;

– a ética utilitarista de Mill — intenção e consequências; o princípio da utilidade; a felicidade; prazeres inferiores e prazeres superiores; a ausência de regras morais absolutas; críticas à ética de Mill.

3.1.4. Ética, direito e política — liberdade e justiça social; igualdade e diferenças; justiça e equidade

– a articulação entre ética e direito;

– o problema da relação entre liberdade política e justiça social:

. a teoria da justiça de Rawls — a posição original e o véu de ignorância; a justiça como equidade; os princípios da justiça; a regra maximin; o contratualismo e a rejeição do utilitarismo;

. as críticas à teoria de Rawls.

Opção por 3.2. ou por 3.3.

3.2. A dimensão estética — análise e compreensão da experiência estética

3.2.1. A experiência e os juízos estéticos

– discussão do carácter subjetivo ou objetivo dos juízos estéticos.

3.2.2. A criação artística e a obra de arte

– o problema da definição de arte;

– discussão das teorias da imitação, expressivista e formalista.

3.3. A dimensão religiosa — análise e compreensão da experiência religiosa

3.3.1. A religião e o sentido da existência — a experiência da finitude e a abertura à transcendência

– a resposta religiosa à questão do sentido da existência;

– perspetivas não religiosas sobre o sentido da existência.

3.3.3. Religião, razão e fé — tarefas e desafios da tolerância

– uma das provas da existência de Deus;

– uma das críticas à perspetiva religiosa.

Módulo III — Racionalidade argumentativa e Filosofia

Unidade 1. Argumentação e lógica formal

1.1. Distinção validade — verdade

  • a lógica como estudo da validade dos argumentos;
  • noções de proposição, argumento, premissa, conclusão, argumento válido e argumento sólido.

Opção pelo Percurso A ou pelo Percurso B

PERCURSO A — Lógica Aristotélica

1.2. Formas de inferência válida

  • caracterização da linguagem da lógica silogística com as suas quatro formas;
  • definição e estrutura do silogismo categórico — termos maior, menor e médio e premissas maior e menor;
  • classificação dos silogismos categóricos em figuras e modos;
  • distribuição dos termos nas proposições categóricas;
  • regras de validade do silogismo categórico.

1.3. Principais falácias

  • falácias formais: falácia do termo não distribuído, ilícita maior e ilícita menor.

PERCURSO B — Lógica Proposicional

1.2. Formas de inferência válida

  • caracterização da linguagem da lógica proposicional com as cinco conectivas: «não», «e», «ou», «se… então», «se e somente se»;
  • formalização de frases e de argumentos; prática de interpretação de fórmulas;
  • funções de verdade e uso de tabelas de verdade para testar a validade de argumentos;
  • formas de inferência válida: modus ponens, modus tollens, contraposição, silogismo disjuntivo, silogismo hipotético e leis de De Morgan.

1.3. Principais falácias

  • falácias formais: afirmação da consequente e negação da antecedente.

Unidade 2. Argumentação e retórica

2.1. O domínio do discurso argumentativo — a procura de adesão do auditório

  • a distinção entre demonstração e argumentação;
  • a relação necessária ao auditório no discurso argumentativo.

2.2. O discurso argumentativo — principais tipos de argumentos e de falácias informais

  • critérios para avaliar argumentos indutivos, por analogia e de autoridade;
  • falácias informais: petição de princípio, falso dilema, apelo à ignorância, ad hominem, derrapagem (ou bola de neve) e boneco de palha (ou espantalho).

Unidade 3. Argumentação e Filosofia
3.1. Filosofia, retórica e democracia

  • a retórica no contexto da democracia ateniense: o confronto entre a perspetiva dos sofistas e a de Platão.

3.2. Persuasão e manipulação ou os dois usos da retórica

  • a crítica filosófica aos usos da retórica.

3.3. Argumentação, verdade e ser

  • a argumentação filosófica e o seu vínculo à procura da verdade.

Módulo IV — O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica

Unidade 1. Descrição e interpretação da atividade cognoscitiva

1.1. Estrutura do ato de conhecer

  • o conhecimento como relação entre um sujeito e um objeto;
  • discussão da definição tradicional de conhecimento como crença verdadeira justificada.

1.2. Análise comparativa de duas teorias explicativas do conhecimento

  • a distinção entre conhecimento a priori e conhecimento a posteriori;
  • o racionalismo de Descartes — a dúvida metódica; o cogito; a clareza e a distinção das ideias como critério de verdade; o papel da existência de Deus; críticas a Descartes;
  • o empirismo de Hume — impressões e ideias; questões de facto e relações de ideias; a relação causa-efeito; conjunção constante, conexão necessária e hábito; o problema da indução; críticas a Hume.

Unidade 2. Estatuto do conhecimento científico

2.1. Conhecimento vulgar e conhecimento científico

  • a relação entre o senso comum e a ciência — discussão do valor do senso comum e da ciência como formas de conhecimento.

2.2. Ciência e construção — validade e verificabilidade das hipóteses

  • as conceções indutivista e falsificacionista do método científico:
    • o indutivismo clássico — o papel da observação e da experimentação; verificação e verificabilidade; a confirmação de teorias;
    • o falsificacionismo de Popper — posição perante o problema da indução; falsificação e falsificabilidade; conjeturas e refutações; a corroboração de teorias.

2.3. A racionalidade científica e a questão da objetividade

  • as perspetivas de Popper e de Kuhn sobre a evolução e a objetividade do conhecimento científico:
    • a perspetiva de Popper — eliminação do erro e seleção das teorias mais aptas; progresso do conhecimento e aproximação à verdade; críticas a Popper;
    • a perspetiva de Kuhn — ciência normal e ciência extraordinária; revolução científica; a tese da incomensurabilidade dos paradigmas; a escolha de teorias; críticas a Kuhn.

Os conteúdos e as capacidades relativos ao módulo inicial do programa, nomeadamente à subunidade «A dimensão discursiva do trabalho filosófico», embora não incluídos nas orientações, poderão, dada a sua natureza transversal, ser mobilizados em articulação com os que são relativos aos módulos sujeitos a avaliação externa.

Caracterização da prova

A prova tem duas versões.

Os itens podem ter como suporte um ou mais documentos.

A sequência dos itens pode não corresponder à sequência dos módulos e das unidades letivas do programa e das orientações ou à sequência dos seus conteúdos.

Os itens podem envolver a mobilização de conteúdos relativos a mais do que um dos módulos ou das unidades letivas do programa e das orientações.

Se a prova incluir itens que incidam em conteúdos apresentados em alternativa no programa e nas orientações, serão propostos os percursos necessários para garantir a equidade. Nesse caso, deverá selecionar-se apenas um dos percursos apresentados.

  • No caso da Unidade 3 do Módulo II, serão apresentados o PERCURSO A — A EXPERIÊNCIA ESTÉTICA e o PERCURSO B — A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA.
  • No caso da subunidade 1.2. do Módulo III, serão apresentados o PERCURSO A — LÓGICA ARISTOTÉLICA e o PERCURSO B — LÓGICA PROPOSICIONAL.

Os símbolos usados nos itens relativos à Lógica Proposicional são os da tabela anexa, que não constará da prova.

A prova é cotada para 200 pontos.

A distribuição da cotação pelos Módulos/conteúdos apresenta-se no Quadro 1.

Quadro 1 — Distribuição da cotação pelos Módulos/conteúdos

Módulos Conteúdos Cotação
(em pontos)
II A ação humana e os valores 55 a 100
III Racionalidade argumentativa e filosofia 30 a 60
IV O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica 55 a 90

A tipologia de itens, o número de itens e a cotação por item apresentam-se no Quadro 2.

Quadro 2 — Tipologia, número de itens e cotação

Tipologia de itens Número de itens Cotação por item (em pontos)
Itens de seleção Escolha múltipla 6 a 12 5
Itens de construção Resposta curta 6 a 12 5 a 10
Resposta restrita 15 a 25
Resposta extensa 30 a 35

Material

Como material de escrita, apenas pode ser usada caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

As respostas são registadas em folha própria, fornecida pelo estabelecimento de ensino (modelo oficial).

Não é permitido o uso de corretor.

Duração

A prova tem a duração de 120 minutos, a que acresce a tolerância de 30 minutos.

Critérios gerais de classificação

A classificação a atribuir a cada resposta resulta da aplicação dos critérios gerais e dos critérios específicos apresentados para cada item e é expressa por um número inteiro.

A ausência de indicação inequívoca da versão da prova implica a classificação com zero pontos das respostas aos itens de escolha múltipla.

As respostas ilegíveis ou que não possam ser claramente identificadas são classificadas com zero pontos.

Se for apresentada mais do que uma resposta ao mesmo item, só é classificada a resposta que surgir em primeiro lugar.

Nos itens integrados em grupos com percursos alternativos, se forem apresentadas respostas a itens de percursos diferentes, apenas será classificada a resposta que surgir em primeiro lugar. A todas as outras respostas será atribuída a classificação de zero pontos.

Itens de seleção

Nos itens de escolha múltipla, a cotação do item só é atribuída às respostas que apresentem de forma inequívoca a opção correta. Todas as outras respostas são classificadas com zero pontos.

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, a transcrição do texto da opção escolhida é considerada equivalente à indicação da letra correspondente.

Itens de construção

Nos itens de resposta restrita e de resposta extensa, os critérios de classificação apresentam-se organizados por níveis de desempenho. A cada nível de desempenho corresponde uma dada pontuação. Se permanecerem dúvidas quanto ao nível a atribuir, deve optar-se pelo nível mais elevado de entre os dois tidos em consideração. Qualquer resposta que não atinja o nível 1 de desempenho é classificada com zero pontos.

Os critérios de classificação das respostas a alguns itens da prova apresentam níveis de desempenho intercalares não descritos. Sempre que uma resposta revele um desempenho que não se integre em nenhum de dois níveis descritos consecutivos, é-lhe atribuída a pontuação correspondente ao nível intercalar que os separa.

As respostas que não apresentem exatamente os termos ou interpretações constantes dos critérios específicos de classificação são classificadas em igualdade de circunstâncias com aquelas que os apresentem, desde que o seu conteúdo seja cientificamente válido, adequado ao solicitado e enquadrado pelos documentos curriculares de referência.

Na resposta aos itens de resposta restrita com cotação superior a 15 pontos e aos itens de resposta extensa, a classificação a atribuir traduz a avaliação do desempenho no domínio específico da disciplina e no domínio da comunicação escrita em língua portuguesa, realizando-se esta última de acordo com os níveis a seguir descritos.

Níveis Descritores
3 Texto claro e correto nos planos da sintaxe, da pontuação e da ortografia.
2 Texto com incorreções nos planos da sintaxe, da pontuação ou da ortografia que não afetam a sua clareza.
1 Texto com incorreções nos planos da sintaxe, da pontuação ou da ortografia que afetam parcialmente a sua clareza.

No caso de a resposta não atingir o nível 1 de desempenho no domínio específico da disciplina, não é classificado o desempenho no domínio da comunicação escrita em língua portuguesa.


Anexo

Tabela de símbolos lógicos

*****

Nota d’O meu Baú:

estas 8 páginas de informação podem ser descarregadas, em pdf, do sítio do IAVE (embora nele algumas das hiperligações estejam “quebradas”).

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