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MESSIAEN, Olivier

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A 10 de dezembro de 1908, nasceu Olivier Messiaen, compositor, organista e ornitólogo francês (faleceu a  27 de abril de 1992).

Em palavras do maestro Victorino D’Almeida (Toda a Música que eu conheço: 2º vol: da alvorada do século XX até à actualidade. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 2008), Messiaen foi uma personalidade com “aspetos controversos e surpreendentes” (p. 443); seguramente, contribuem para a controvérsia o seu “misticismo e a religiosidade” que “entravam abertamente pelos domínios do fanatismo e do beatério”: “Felizmente, o compositor encontrou na música um escape para esses sentimentos já na orla da morbidez, conseguindo metamorfosear em obra de arte aquilo que, noutras pessoas, se consubstanciaria numa série de perturbações mentais” (p. 444).

A sua obra mais conhecida é talvez o Quarteto para o fim dos tempos, classificada por Victorino D’Almeida como “uma das mais extraordinárias peças de câmara alguma vez compostas” (p. 443), tal como a Sinfonia Turangalîla, “uma das obras máximas da música de todos os tempos” (p. 447)

[o maestro concorda com algumas críticas feitas a outras obras do compositor. Por exemplo, Corpos Gloriosos “parece-me uma monodia insuportável e profundamente doentia, com toda a carga de morbidez que rodeia os pedaços apodrecidos de corpo humano que a Igreja guarda dentro de relicários”. Victorino é igualmente implacável com Vinte Olhares sobre o Menino Jesus (se ouvisse, “o próprio Menino Jesus acabaria com as fraldas encharcadas”); ou com a “monotonia capaz de fazer perder a cabeça a um santo” de Aparição do Cristo Glorioso; ou ainda com a “soturnidade só imaginável nas mais sinistras procissões pascais” de Os Anjos com as Sete Trombetas, com a duração, que “parece absolutamente interminável”, de cerca de seis minutos (ob. cit., p. 445-446)].

O Quarteto (para piano, violino, violoncelo e clarinete) data de 1940 e é um quadro sonoro (inspirado no Apocalipse de São João) do pânico e do terror do Dia do Juízo Final (quando, segundo crêem os cristãos, Deus chamará todas as almas humanas a responder pelos seus atos na Terra)

(a obra foi escrita numa época que poderia julgar-se o fim dos tempos — o de inícios da Segunda Guerra Mundial — e executada, a primeira vez, num campo de concentração alemão onde o autor estava prisioneiro).

Os títulos dos oito movimentos

(pode ler aqui uma análise de cada um deles)

são sugestivos: 1. Liturgie De Cristal; 2. Vocalise Pour L’ange Qui Annonce La Fin Du Temps; 3. Abîme Des Oiseaux; 4. Intermède; 5. Louange à L’éternité De Jésus; 6. Danse De La Fureur Pour Les Sept Trompettes; 7. Fouillis D’arc-en-ciel Pour L’ange Qui Annonce La Fin Du Temps; 8. Louange De L’immortalité De Jésus.

Porque se trata da audição de uma música que pode soar a algo marciano para ouvidos não habituados a este tipo de sonoridades não tonais, gostaria de saber as sensações que ela provocou nos meus leitores: ao dispor, fica a caixa de comentários.

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