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O papel do visor (e das bordas do visor) na fotografia

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O visor de uma câmera fotográfica cria o limite exato entre o que será e o que não será capturado. Diferentemente do que acontece na pintura, em que a imagem tem início em uma superfície em branco, a fotografia pode ser encarada como uma “busca redutiva”. Ele começa enxergando tudo e, desse tudo, com o auxílio das bordas do visor, extrai um pequeno aspecto que, consciente ou inconscientemente, ao excluir elementos específicos, dará origem a algo.

A palavra “redutiva” aqui não é empregada com uma conotação negativa — ela pretende apenas destacar a essência da captura da imagem fotográfica na forma como é normalmente praticada.

O visor é a principal ferramenta de composição conhecida pelos fotógrafos. No entanto, seu poder de influenciar nossa relação com as imagens é muitas vezes relegado a segundo plano, uma vez que, ao nos preocuparmos mais com o tema e a centralidade, deixamos de enquadrar as cenas de forma criativa ou inovadora.

Depois da nossa imaginação e de nossas expectativas criativas, é no visor que encontramos pela primeira vez o processo de design em sua forma mais crua. A forma como o visor emoldura o tema que temos em mente está baseada em uma série de decisões a ser tomadas pelo fotógrafo. Os pontos mais críticos dessas decisões são a altura, o ângulo e a distância em relação ao tema a ser fotografado.

O papel do visor na fotografia

[foto de António R. Gomes]

As bordas do visor

Usar a capacidade plena do visor de uma câmera permite que o fotógrafo leve em consideração 100% do espaço disponível de uma imagem, até as bordas do visor. Como uma escolha intencional, usar a borda do visor para desmembrar visualmente um tema ou deixar algo de fora da imagem tem consequências positivas e negativas. Não há como escapar do fato de que uma imagem tem obrigatoriamente algum tipo de limitação, mas isso não significa que temos de adotar uma atitude passiva frente a suas inevitáveis restrições. Devemos olhar para as oportunidades de usá-las de maneira criativa.

Alguns fotógrafos estão bem conscientes do poder que as bordas do visor possuem. As imagens desses fotógrafos brincam de forma criativa com o que foi incluído ou excluído da fotografia.

Ao usarem o visor de forma consciente e eficaz, os fotógrafos podem criar imagens fortes e convincentes que emolduram o mundo de maneiras incomuns. Além disso, eles permitem que o espectador entre em contato com um assunto conhecido por meio de uma nova perspectiva, simplesmente ao enfatizar e reconfigurar os vários elementos de design em arranjos inovadores e de grande apelo visual.

[WEBB, Jeremy. O design da fotografia. São Paulo : Gustavo Gili, 2014, p. 12. Negritos meus]

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