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O que ando a ler – 1

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Perguntei a alguns amigos o que anda(va)m a ler. Que circunstâncias os levaram a esse livro. Se é suficientemente interessante para ser recomendável. Em que sítios o têm lido (o objetivo é conhecer hábitos/modos de leitura).

De Martim de Gouveia e Sousa, que já aqui se autorretratou como “Escrevinhador antes de ser professor; escrevinhador sendo-o; bebedor de livros; dependente de poetas. como valeria a pena” — do Martim é o primeiro desta série de depoimentos:

O que ando a ler:

Leio, sem pressa, As luzes de Leonor de Maria Teresa Horta, romance que conheceu a 1ª edição por maio de 2011 e que, em novembro de 2012, já ia pela 6ª edição, com chancela da D. Quixote. Ficcionando uma das mulheres mais fulgurantes da cultura portuguesa, o longo romance cumpre desde o paratexto titular a função aperitiva – junto, no entanto, o ponto de partida, que é o enclausuramento de Leonor (Alcipe, no meio literário) no convento de S. Félix, em Chelas, durante longos 19 anos. E, a partir daí, há toda uma vida de luz e sombras. E há pele e o calor disso, em vida cheia de incidências e vultuosas comparências – Leonor de Almeida viveu de 1750 a 1839.

Como o descobri:

Para mim, foi uma descoberta anunciada, uma vez que sabia, por entrevistas da autora, que o romance estava para chegar. Não o adquiri logo e só o fiz no início do corrente ano. A descoberta da fascinante figura real já a fizera há anos, a redescoberta do sobrante ficcional era apenas uma questão de oportunidade, que, felizmente, Maria Teresa Horta proporcionou, não sem aquela importante admonição colhida em carta de Virginia Woolf a Vita Sackeville-West: «Será que existes, ou inventei-te dos pés à cabeça?».

Vale a pena lê-lo?

Sem dúvida, porque é um romance arrebatador sobre a insubmissão e o livre pensamento cuja matéria advém de uma figura real, histórica. Por outro lado, o ficcional e as transmigrações são da lavra de uma escritora que trabalha a intimidade e o corpo com mestria. Envolvendo, há um vasto conjunto de armadilhas amorosas: as relações da Marquesa de Alorna, o amor filológico, o modelo sáfico, as traduções, a ideia de natureza, o meio mundo entre os clássicos e os românticos, as viagens…

Onde o tenho lido:

Tratando-se de um livro com mais de mil páginas e com mancha tipográfica de 41 linhas por página (carateres 8/9?), digamos que esta leitura tem o seu processo: em vários chãos (areias, colchões, carpetes, tapetes, mesas, lugares e divisões), sob diferentes tetos… E só vou na página 782. Ainda agora li mais duas páginas, vindo de sítio que em inglês se diz water closet.

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Guitar zeroSaiba as razões por que Aires Almeida recomenda a leitura de Guitar Zero – The Science Of Learning To Be Musical, do psicólogo e cientista cognitivo Gary Marcus.

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