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Problemas de Filosofia da Religião

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No prefácio à quarta edição norte-americana de Introdução à Filosofia da Religião [Lisboa: Babel, 2011], William L. Rowe destaca alguns dos problemas por ele tratados no livro — e que são problemas da Filosofia da Religião. Trata-se de questões que refletem os mais importantes avanços na Filosofia da Religião na segunda metade do século XX e primeiros anos do século XXI.

  1. Durante séculos, os pensadores religiosos procuraram mostrar que a crença religiosa não só é consistente com o pensamento racional mas também que se pode sustentá-la com argumentos racionais. O desenvolvimento da teoria cosmológica do Big Bang resultou num argumento do desígnio a favor da existência de um ser inteligente que terá ajustado as condições iniciais da origem do universo de modo a tornar possível a vida que conhecemos. E há também um argumento contra a capacidade de a selecção natural darwinista explicar sistemas biológicos «irredutivelmente complexos» ao nível molecular. Um curso introdutório em filosofia da religião tem de informar os estudantes acerca destes argumentos, além dos argumentos tradicionais a favor da existência de Deus.
  1. Tem-se valorizado crescentemente e procurado compreender outras tradições religiosas além das ocidentais, com a sua dupla ênfase na ignorância, e não no pecado, como fonte das atribulações humanas, e no esclarecimento, e não na salvação pessoal, como solução para as atribulações humanas. Com esta nova consciência das diferenças profundas entre as religiões do mundo, surge naturalmente a questão de saber se se pode continuar a defender sensatamente que apenas uma destas religiões (a nossa) é a verdadeira e o único caminho para a vida além-túmulo. O filósofo e teólogo John Hick tem desenvolvido uma perspectiva denominada «pluralismo religioso». É importante que os estudantes de filosofia da religião contactem com esta perspectiva, bem como com as críticas que lhes foram dirigidas.
  1. O problema do mal continua a ser um importante tópico de discussão. Trata-se da questão de a enorme quantidade de mal aparentemente desnecessário que há no nosso mundo, um mal que não cumpre qualquer finalidade boa que possamos imaginar, contar ou não como indício contra a existência de um deus sumamente perfeito. Alguns filósofos argumentam que a disparidade entre o conhecimento humano e o divino é tal que a nossa incapacidade para discernir qualquer bem que exigisse a permissão de tais males por Deus não nos dá qualquer razão para pensar que a sua existência é improvável. Esta perspectiva, conhecida como «teísmo céptico», levanta questões de importância central para o problema de se saber se o mal no nosso mundo nos dá ou não razões para pensar que a existência de Deus é improvável, questões que se devem incluir num curso de filosofia da religião.

(p. 11-12)

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