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Requiem, música para o fim de semana

O Requiem é Missa dos mortos. Supostamente triste, portanto. Triste, mesmo para os crentes, que é suposto entenderem a morte como um momento libertador: é só ouvir os Requiem que por aí se multiplicam. Não parece, por isso, ser a música mais adequada para um fim de semana de primavera/verão. Mas a boa música pode proporcionar prazer independentemente de considerações deste género.

Requiem de Verdi, por Carlo Maria Giulini

Do Requiem todo, escolho uma das partes mais… tenebrosas: o Dies irae. O primeiro terceto do hino é este:

Dia da Ira, aquele dia
Em que os séculos se dissolverão em cinza,
(será) David com a Sibila por testemunha!”

A letra toda deste hino (o original latino e a tradução), com algumas notas, está aqui.

Começo por um dos Requiem mais majestoso/operático/…: o de Verdi, numa grande interpretação, dirigida por Giulini:

Dies irae invoca o juízo final, testemunhada pela Sibila. Há um Dies irae (um Requiem, portanto) soberbo, de um português: Domingos Bomtepo. Quase que se veem… as almas a cair no inferno (a propósito… ainda há inferno? 😉 ):

Quem não conhece o Requiem de Mozart é porque não viu… o tal filme — Amadeus. O Dies irae soa assim:

Que o Requiem seja música funebremente triste,  também esta não é uma regra sem exceção. Gabriel Fauré, por exemplo, compôs um Requiem onde a morte é apresentada como um “fenómeno” suave, visto na perspetiva da esperança numa outra vida — algo assim como o encontro, radiante, com a divindade.

Para terminar este conjunto com muito mais suavidade (e como duas provas do que aqui afirmo), ficam dois trechos dessa obra:

In Paradisum

Pie Jesu…

… cantado por uma das vozes mais características que conheço — a de Philippe Jaroussky:

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2 Comentários »

  • ana paula menezes diz:

    A Beleza da boa música não tem fim a que se destina – permite o mais sublime do ser humano – o prazer da alma!

    E esta é MÚSICA de EXCELÊNCIA – que possamos continuar a ser brindados com “pedacinhos” de céu ou do inferno – se for com música assim – que maravilha!

    Saliento, como em todos os textos que por aqui vou lendo, o cuidado, o rigor e o bom gosto na seleção e apresentação dos conteúdos publicados.

    • A. Gomes diz:

      Ana Paula Menezes,

      obrigado pelo comentário — e pelo elogio, obviamente. Não posso esconder que sabe bem saber que o nosso trabalho é apreciado: isso incentiva a continuar. 😉

      Tentarei (continuarei a tentar) manter esse “cuidado, rigor e bom gosto”. Esperando que, com essas características, os textos do Baú possam agradar aos leitores do blogue.

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