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A 25 de Outubro, nasceu Stirner

A 25 de Outubro de 1806, nasceu o filósofo alemão Max Stirner. Michel Onfray sintetiza assim a sua filosofia:

Individualista radical. Autor de um único livro, O Único e a sua Propriedade (1844), no qual ataca sem consideração tudo o que se opõe à expansão da pura individualidade: a lei, o direito, o Estado, a família, a propriedade, o trabalho, a moral, a religião, a pátria, a educação. Apresentado, por vezes, como um anarquista.

(Antimanual de filosofía, p. 157. Dados bibliográficos, aqui)

A ideia central de O Único e a sua Propriedade é esta: o indivíduo é único, deve ser perante si próprio o único ser supremo, livre de todos as sujeições coletivas (social, política, religiosa); assim sendo, o indivíduo pode, legitimamente, considerar tudo o resto como “sua propriedade”.

Não significa isto que Stirner recuse a legitimidade de qualquer instituição. O filósofo alemão distingue claramente entre o conceito de “sociedade” enquanto instituição imposta e repressiva, controlada pelo Estado, a legislação, a religião, o sistema educativo… — e a sociedade que resulta de uma livre associação mútua de indivíduos soberanos, com fins mutuamente egoístas.

Com referência [à individualidade], a diferença entre Estado e associação é bastante significativa. Aquele é um inimigo e destruidor da singularidade própria, esta filha e mártir dela; aquele é um espírito que quer ser adorado em espírito e em verdade, esta é obra minha, produto meu; o Estado é o senhor do meu espírito, que exige fé e me prescreve os artigos dessa fé, os artigos da legalidade; exerce influência moral, domina o meu espírito, escorraça o meu eu para assumir o seu lugar como “o meu verdadeiro eu”, em suma, o Estado é sagrado, e na sua relação comigo, o indivíduo, ele é o verdadeiro homem, o espírito, o fantasma; a associação, porém, é criação minha, criatura minha, não sagrada nem força espiritual acima do meu espírito, tão pouco como qualquer associação de qualquer tipo. Do mesmo modo que eu não quero ser escravo das minhas máximas, mas as exponho sem qualquer garantia às minhas críticas permanentes e não admito qualquer penhor sobre a sua manutenção, assim também (ainda menos) não me comprometo, e ao meu futuro, com a associação, não lhe prometo a minha alma, como se diz do diabo e acontece de facto com o Estado e com toda a autoridade espiritual, mas sou e continuarei a ser, para mim, mais do que Estado, Igreja, Deus, etc., e portanto infinitamente mais do que uma associação.

[O Único e a sua propriedade. Lisboa: Antígona, 2004, p. 242

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